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sábado, 17 de março de 2018

Klepsydra


Ela era a última do seu tempo
Saltou do botão negro do relógio
Direita à poeira cor de cinza
Ela veio com as ondas
Da alvorada, cheia
De ar, de vento
E nada. Ela era
A última
Era.

Ela era a última das esferas
Que rodam a compasso o coração
Ela caiu da árvore da Lua,
Órfã das estrelas. Na
Boca selada ‘stava o
Sinal do deus que
Cantava e ela era
A última
‘Sfera.
  
Ela era a última Galateia
Que os mares revolve acesa. Às
Ondas ergueu a testa muda
E queda, tão alta como
Antena, agudo olhar
De seta e ela era
Da sua casa a
Última que
Viera.

Ela era a última por ser ela
Os versos de rio brotando do chão
Ela era a última e por isso era
Dos deuses a pena da inquietação.



sábado, 11 de novembro de 2017

Rosa dos Ventos

Ou Lisboa

Sentada num rochedo feito de ar
Tendo por leito seu a branca espuma
Vai desenhando sonhos, céu e bruma
Na testa coroada por salgar
E na imensidão ao levantar
Aos olhos do Oceano a branca fronte
‘Stende os dedos de coral no horizonte
E é tanta a desventura no colar
De lágrimas mil que foi colhendo
Que não sabe se é rainha ou infante
Nem se será sua, vendo em diante,
As ondas turbulentas revolvendo,
Nascida duma rosa, vento e mar
A esfera que em seus sonhos vai tecendo…



domingo, 23 de julho de 2017

Cançoneta




Formosas
Dolosas
Pelos céus
As aves perdem-se no mar sem fim
Formosas
Penosas
Num adeus
Sem sabê-las como sendo iguais a mim.

Lisboa, nau da imensidão
Tem as gaivotas por coração
Correm o mar, campos em flor
Por outro ar e outro amor.







Formosas
Penosas
Aves quais
Em teu olhar tocam o azul do céu
Formosas
Dolosas
Penosas
Longe do cais
São sonho meu
E nada mais...