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segunda-feira, 13 de março de 2017

Europa


Vi-te na estrada para Delphos
Com uma ânfora segura à cabeça
A cidade ao longe desvanece-se
Perde-se numa névoa cor de cinza
Já sem cor nas paredes centenárias
A estrada para Delphos
Oculta-se na poeira dos caminhos.

Vi-te na estrada para Delphos
O oráculo repousa ao pé do rio
A ânfora na tua cabeça partira-a eu
Em tempos de que perco a memória
Uma sereia rasga os céus e a estrada
O vento Austro geme cansado
E dá lugar para cantar à minha lira.

Vi-te na estrada para Delphos
Junto a colunas frias de mármore
As flores fecham, os pássaros partem
Créos massivo irrompe das nuvens
O rio passa como o tempo que passa
O nosso barco entra no mar alto
A saudade corta o vento que nos leva...

A luz já não é forte, é fraca e fria
A noite escura e triste acaba o dia,
A sombra de Delphos longe é já perdida;

E mesmo resvalando a terra inteira
O nosso touro é o barco de madeira
E tu a Europa rumo à terra prometida...


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Oráculo




Cantando vêm as brisas de Austro
Ao longe, um pássaro canta
E sem olhar o mal que me espanta
Caminho por entre arcos, colunas.
O oráculo está ali, perto uma árvore
(Das tão velhas como os tempos)
Geme com o vento que a molesta...

Cantando vêm as brisas de Austro
E trazem vozes de ninfas, sereias:
Segredam-me histórias ao ouvido
E alheio ao vento, sem qualquer sentido
O oráculo de Delphos quieto como a árvore
Geme canções; tanjo a minha lira
Puxo uma corda e o som nasce...






Cantando vêm as brisas de Austro
E, secretas, roubam os meus sons
Quando os trocam por ti na calma
Ninfa sem deus, sem terra, ompharum
Uma corda parte e um som metálico
Abafa-se no murmúrio dos meus lábios
Ao pronunciar o teu nome:
             - Eliane.

Pois se não foste tu a quem, ao raiar do dia
Com minha lira, como que por magia
Fiz cruelmente a ânfora estalar!

Mas a que vens, vens p'ra te vingar?
Não te vingas e com belos olhos
Estendes a mão, consertas-me a lira.



Devolves-me a música, mas não sem um preço
E eu próprio sei que então mereço
Depois de tal crime exemplar castigo

E ao sair, ofegante, do templo
Castigaste (e que sirva de exemplo)
O meu coração, que levaste contigo...

domingo, 4 de dezembro de 2016




I

Bela Anfitrite, nobre soberana
Senhora suprema do exército de Proteu;
Tu, que tomas o vasto Oceano como teu
O fresco das águas e a salitre que emana,

Só a ti o quente Austro obedece
Só para ti as doces gaivotas cantam
Só contigo as estrelas se espantam
E deste-te à terra que te não merece.

E se eu, que de mortal tenho minha condição
Não vos pude nunca chegar ao coração
Ó, dina Anfitrite, senhora minha,

Posso, no entanto, ter este proveito
e vos professar todo o meu respeito
Com que vos saúdo, minha Rainha!